O Líder que D'us Procura
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Sabemos que estamos num tempo especial da história da humanidade. Como Igreja desta geração, temos uma responsabilidade em todos os níveis, inclusive (ou principalmente) em manter e divulgar a verdade sobre as diversas questões que envolvem o homem e os relacionamentos interpessoais. Neste sentido, torna-se urgente trazer à luz um assunto vital: a liderança e como ela deve ser exercida no meio do Povo de D'us.
Com certeza há diversos tipos de liderança em operação. Da mais autoritária até a mais permissiva. Mas qual é o padrão bíblico para uma liderança que vem de fato de D'us e que O agrada? É o que queremos tratar neste artigo.
Percorrendo as Sagradas Escrituras, encontramos, no Antigo Testamento, um exemplo incontestável de Liderança segundo o padrão de D'us: Moshe (Moisés). Comissionado por D'us para o difícil ministério de liderar todo o Povo de Israel de seu época, Moisés iniciou sua obra já numa idade madura: "E Moisés era da IDADE de oitenta anos, e Arão da idade de oitenta e três anos quando falaram a Faraó". (Êx 7:7).
Isso nos fala de um aspecto importante no que diz respeito à liderança estabelecida por D'us: Ela requer maturidade. Obviamente isso não quer dizer que todo líder que D'us chama deve começar seu ministério aos 80 anos. Mas que um tempo é necessário para que se forme o caráter do líder que D'us procura e que, muitas vezes, entre o chamado de D'us e o exercício do chamado pode haver um tempo - longo ou curto, conforme o caso específico - necessário para que este Líder se forme segundo D'us e não segundo os homens.
Certamente foi por isso que o apóstolo Paulo nos alertou: - "Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja... Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo". (1 Timóteo 3:1,6) (Grifo nosso). Porque o neófito, principiante, novato, ou recém-convertido, ainda tem uma caminhada pessoal para percorrer com D'us. E, mesmo que os seus talentos ou dons espirituais sejam manifestos a todos, é necessário dar um tempo para que ele se amadureça no seu relacionamento pessoal com D'us e na prática das ordenanças bíblicas, essenciais a alguém que irá liderar outros. Afinal, quem ensina, deve viver os seus ensinamentos e quem se coloca na posição de líder, de quem guia e orienta, deve ser um exemplo a seguir, de fato e de verdade, e não só por palavras ou imposições.
Neste sentido, pois, Moisés não deixou por desejar. Sua experiência pessoal com D'us era inegável e a sua conduta, ainda que não perfeita, é preciso frisar, foi coerente com toda a sua pregação e pautada nos planos de D'us e não nos dele próprio.
Algumas características de Moisés, contudo, destacaram-se em todo o seu ministério: a verdade e a misericórdia. O Rei Salomão em sua sabedoria, certamente inspirado em Moisés, deixou-nos um ensinamento precioso neste sentido: "Pela MISERICÓRDIA e pela VERDADE a iniqüidade é perdoada, e pelo temor do SENHOR os homens se desviam do pecado." (Pv 16:6). O que ele nos fala aqui? Que o pecado é perdoado mediante à verdade, mas também mediante à misericórdia. E foram exatamente essas duas características, em completo equilíbrio, que marcaram a vida ministerial de Moisés.
Sobre a verdade, quem mais do que Ele no meio do Povo de Israel de sua época a recebeu de D'us, diretamente, com tanta amplitude? Foi Moisés, quem, de fato, registrou e trouxe para a terra os ensinamentos básicos da fé no Único D'us e dos mandamentos a serem obedecidos por aqueles que O seguem. E que verdades! E que firmeza e persistência ele não precisou ter para fazer com que fossem aplicadas pelo Povo!
No entanto, Moisés não ficou só com a verdade. Ele fez uso, e maravilhosamente, da misericórdia. Em Êxodo 32, sua argumentação e renúncia diante de D'us em favor do Povo, num exercício da mais pura misericórdia, são simplesmente deslumbrantes:
"Então disse o Eterno a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido, E depressa se tem desviado do caminho que eu lhe tinha ordenado; eles fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram, e ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito.
Disse mais o Eterno a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz.
Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação.
Moisés, porém, suplicou ao Eterno seu D'us e disse: Ó Eterno, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?
Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo.
Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas dos céus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de que tenho falado, para que a possuam por herança eternamente.
Então o Eterno arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo. "
(Êx 32:7-14)
Moisés se viu diante de uma delicada situação: mal acabara D'us de dar as leis básicas para o Seu Povo e este já tinha pecado nas primeiras cláusulas: outro deus, adoração de imagem... E, o que é mais importante, não foi nenhum juiz humano quem propõe a destruição do Povo, mas D'us mesmo. E qual é a reação de Moisés? Ele clama por misericórdia em favor dos israelitas, lembrando a D'us as suas alianças com os patriarcas e as suas promessas.
Com esta sua atitude, Moisés muda a decisão de D'us, o que nos fala para a necessidade de intercessores na presença Divina, pleiteando as causas dos homens, lembrando as suas promessas e alianças, reivindicando a sua misericórdia.
O mais extraordinário, no entanto, é que ele exerceu esta intercessão como líder. Determinadamente, Moisés exerceu a sua liderança com misericórdia e não só com a verdade. E isso foi comprovado nos vários momentos de sua liderança sobre o povo, que "testou" a sua paciência em diversos momentos, durante toda a peregrinação pelo deserto. E o que vemos é que, em nenhum momento, Moisés clamou a ira ou a justiça de D'us sobre o Povo, mas antes, nas situações mais difíceis, buscava a D'us e deixava que Ele desse a sentença, exercendo sempre a intercessão misericordiosa.
No próprio episódio do bezerro de ouro, sobre o que D'us já o havia alertado, percebemos que ele não ficou indiferente, pois até mesmo lançou ao chão e quebrou as tábuas da Lei escritas pelas próprias mãos de D'us. Mas não falhou na misericórdia e a expressou com toda a intensidade:
"E aconteceu que no dia seguinte Moisés disse ao povo: Vós cometestes grande pecado. Agora, porém, subirei ao Eterno; porventura farei propiciação por vosso pecado.
Assim tornou-se Moisés ao Eterno, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro.
Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.
Então disse o Eterno a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro.
Vai, pois, agora, conduze este povo para onde te tenho dito; eis que o meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei neles o seu pecado." (Êx 32:30-34)
É magnífico! Moisés fica muito aborrecido com o pecado do povo. Mas não o amaldiçoa, nem condena. Ora por ele a Deus, para que Ele o perdoe e olha em que termos: "... se não, risca-me, peço-te, do teu Livro..."
O que dizer diante desta atitude? Temos, hoje, líderes deste gabarito? Onde anda a nossa própria misericórdia? O que temos feito diante do pecado dos outros? Será que não temos sido só verdade? Ou, quem sabe, só misericórdia?
Precisamos ser honestos e fazer uma avaliação consciente: Como tem sido a nossa conduta neste sentido? Como líderes, como temos agido? Será que não temos colocado jugos pesados demais e excessivos demais sobre os nossos liderados? Será que não os estamos amaldiçoando e condenando para sempre em vez de orar por eles e clamar pela misericórdia Divina, deixando D'us determinar o que deve ser feito? Será que não estamos distantes demais do povo e nos esquecemos que também somos parte dele e que o que o beneficia alcança também a nós? Onde está a nossa misericórdia? E a nossa postura de intercessão, de quem se coloca, literalmente, no lugar do outro, para pleitear a sua causa?
O tempo da nossa redenção está próximo, muito próximo. Não será a hora de mudarmos o que é preciso? D'us está a procura dos verdadeiros líderes. Dos líderes verdadeiramente qualificados, dos líderes que O agradam. Onde eles estão?

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